Inspiração Diária
Quem seguir?

"Aos meus amigos publicitários.

Gostaria de agradecer a todos que votaram na Chapa 7 durante as eleições para Diretórios Acadêmicos. Foram duas semanas corridas para todos; tivemos a semana da campanha, que demos o máximo com o que tínhamos a disposição. Buscamos o apoio de pessoas que queriam ver mudanças não só em seu curso, como em seu campus. Apoiamos nossos amigos da Chapa 1 do DCE, a Transformar - meu muito obrigado ao Rafael Branco e a Anna Normanton, que nos deram um BAITA apoio durante a semana das eleições, cuidando, quando possível, das urnas e nos ajudando a chamar pessoas para votar, já que a maioria dos integrantes da nossa chapa não podia comparecer devido ao trabalho. Empatamos com a situação, a Chapa 6 - 46 x 46 com um voto em branco - e perdemos pelo estatuto: em caso de empate, a chapa que tiver o presidente com mais créditos cursados, ganha.

Queria também aproveitar para parabenizar o pessoal da Chapa 6. Eles tornaram essa eleição mais do que interessante. Galera, parabéns pelo esforço e pela vontade de continuar seu legado.

Gostaria de salientar também que não estou mudando meu discurso quando digo que, mesmo a Chapa 7 tendo perdido a eleição, ninguém saiu perdendo. Nós queríamos mudanças, dissemos que não estávamos satisfeitos com a atual gestão e que tentaríamos fazer de tudo para fazer da faculdade um ambiente digno de pesquisa. Nosso objetivo foi alcançado. Esse empate serviu para darmos umas marretadas nas estruturas da atual gestão, mostrar que não estamos aqui para brincadeira. Não somos “bixos”; estamos cientes do que acontece em nosso ambiente acadêmico. O empate mostrou que os alunos estão cientes do que está acontecendo e que confiam em ambas as chapas para tais mudanças.

Nós não iremos desistir de fazer mudanças caso elas não aconteçam. A Chapa 7 vai continuar em cena como um coletivo de alunos em busca de novas experiências. Talvez até nos juntemos a situação, quem sabe?! Estaremos sempre em busca de um curso melhor para todos.

Novamente, obrigado a todos que nos apoiaram nas últimas duas semanas, que acreditaram em nós. Nós estamos em débito e não iremos desistir tão fácil.

Obrigado,

-Joe.”

Esta carta foi escrita por Eugênio Barba a um de seus atores em 1967. Frequentemente ela é publicada em livros e revistas para ilustras a visão teatral de seu autor e sua atitude para com um “novo ator”. Acredito que neste momento este texto se encaixe perfeitamente nas ideias da Chapa 7, porém, com uma ligeira inversão de papéis, onde o “novo ator” se põe no lugar do autor e expressa os questionamentos pertinentes ao “bom trabalho” que dizem estar fazendo. Vale a interpretação.

Chapa 7.

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"Freqüentemente me surpreende a ausência de seriedade em seu trabalho. Não é devido à falta de concentração ou de boa vontade. É a expressão de suas atitudes. 


Antes de tudo, tem-se a impressão de que suas ações não são ditadas por uma convicção interior ou por uma necessidade que deixa sua marca no exercício, na improvisação, na cena que você executa. Voc
ê pode estar concentrado no seu trabalho, não estar se poupando, seus gestos podem, tecnicamente, ser precisos e, no entanto, suas ações continuam sendo vazias. Não acredito no que você está fazendo. O seu corpo só diz uma coisa: obedeço a uma ordem dada de fora. Seus nervos, seu cérebro, sua coluna não estão comprometidos, e, com uma atitude epidérmica, quer me fazer crer que cada ação é vital para você. Você mesmo não percebe a importância do que quer fazer partícipe os espectadores. 

Então, como pode esperar que o espectador fique preso por suas ações? Como você poderia, assim, afirmar e fazer compreender que o teatro é o lugar onde as convenções e os obstáculos sociais devem desaparecer, para deixar lugar a uma comunicação sincera e absoluta? Você neste lugar representa a coletividade, com as humilhações que passou, com seu cinismo que é autodefesa, e seu otimismo, que é a própria irresponsabilidade, com seu sentimento de culpa e sua necessidade de amar, a saudade do paraíso perdido, escondido no passado, na infância, no calor de um ser que lhe fazia esquecer a angústia. 

Todas as pessoas presentes nesta sala ficariam sacudidas se você efetuasse, durante a representação, um retorno a estas fontes, a este terreno comum da experiência individual, a esta pátria que se esconde. Este é o laço que o une aos outros, o tesouro sepultado no mais profundo do nosso ser, jamais descoberto, porque é nosso conforto, porque dói ao tocá-lo. 

A segunda tendência que vejo em você é o temor de levar em consideração a seriedade deste trabalho: sente uma espécie de necessidade de rir, de distrair-se, de comentar humoristicamente o que você e seus companheiros fazem. É como se quisessem fugir da responsabilidade que sente, inerente à sua profissão, e que consiste em estabelecer uma relação e em assumir a responsabilidade do que revela. Você tem medo da seriedade deste trabalho, da consciência de estar no limite do que é permitido. Tem medo de que tudo aquilo que faz seja sinônimo de fanatismo, de aborrecimento, de isolamento profissional. Porém, num mundo em que os homens que nos rodeiam já não acreditam em mais nada ou pretendem acreditar para ficarem tranqüilos, aquele que se afunda em si mesmo para enfrentar a sua condição, a sua falta de certezas, a sua necessidade de vida espiritual, é tomado por um fanático e por um ingênuo. Num mundo, cuja norma é o enganar, aquele que procura “sua” verdade é tomado por hipócrita. 

Deve aceitar que tudo no que você acredita, no que você dá liberdade e forma no seu trabalho, pertence à vida e merece respeito e proteção. Suas ações, na presença da coletividade dos espectadores, devem estar carregadas da mesma força que a chama oculta na tenaz incandescente, ou na voz da sarça ardente. Somente então, suas ações poderão fermentar conseqüências imprevisíveis. 

Enquanto Dullin jazia em seu leito de morte, seu rosto se retorcia assumido as máscaras dos grandes papéis que viveu: Smerdiakov, Volpone, Ricardo III. Não era só o homem Dullin que morria, mas também o ator e todas as etapas de sua vida. 

Se lhe pergunto por que escolheu ser ator, me responderá: para expressar-me e realizar-me. Mas que significa realizar-se? Quem se realiza? O gerente Hansen que vive uma existência respeitável, sem inquietudes, nunca atormentado por estas perguntas que ficam sem resposta? Ou o romântico Gauguim que, depois de romper com as normas sociais, terminou sua existência na miséria e nas privações de uma pobre aldeia polinésia, Noa-Noa, onde acreditava ter encontrado a liberdade perdida? Numa época em que a fé religiosa é considerada como neurose, nos falta a medida para julgar o êxito ou o fracasso de nossa vida. 

Sejam quais foram as motivações pessoais que o trouxeram ao teatro, agora que você exerce esta profissão, você deve encontrar um sentido que vá além de sua pessoa, que o confronte socialmente com os outros. 

Somente nas catacumbas pode-se preparar uma vida nova. Esse é o lugar de quem, em nossa época, procura um compromisso espiritual se arriscando com as eternas perguntas sem respostas. Isto pressupõe coragem: a maioria das pessoas não tem necessidade de nós. Seu trabalho é uma forma de meditação social sobre si mesmo, sobre sua condição humana numa sociedade e sobre os acontecimentos de nosso tempo que tocam o mais profundo de si mesmo. Cada representação neste teatro precário, que se choca contra o pragmatismo cotidiano, pode ser a última. E você deve considerá-la como tal, como sua possibilidade de reencontrar-se, dirigindo aos outros a prestação de contas de seus atos, seu testamento. 

Se o fato de ser ator significa tudo isto para você, então surgirá um outro teatro; uma outra tradição, uma outra técnica. Uma nova relação se estabelecerá entre você e os espectadores que à noite vêm vê-lo, porque necessitam de você.

Eugênio Barba”

Esse ano, 2012, foi um ano de muitos acontecimentos - não só ao redor do mundo, mas em nossa casa, nosso campus - na UCS. Durante esses 11, quase 12 meses que se passaram desde o estourar de foguetes no primeiro dia de janeiro, tivemos palestras, festas, eventos, shows, mostras artísticas. Mas um questionamento paira no ar: quais desses eventos foram feitos para nós, acadêmicos de Publicidade e Propaganda?

Não vamos dizer que eles não aconteceram, pois estaríamos nos vendando diante dos fatos. A questão é que poderiam ter ocorrido muito mais eventos de nosso interesse.

Já faz algum tempo que nós, integrantes da Chapa 7, estamos conversando com nossos colegas acadêmicos de Publicidade e Propaganda e ouvindo o que eles tem a dizer. Nos surpreendemos algumas vezes quando alguns perguntavam: “Existe um D.A. de PP?”.

Podemos não ter muita experiência em questão de Diretório Acadêmico, mas somos formados não só por futuros publicitários, mas sim, por artistas, diretores, representantes comerciais, fotógrafos e comerciantes; seria errado afirmar que nós, integrantes da Chapa 7, não temos experiência em algo. Estagiários? Respeitamos, pois já estivemos em seus lugares e sabemos que eles, assim como nós, são o futuro de nosso país.

Nós não queremos insistir e nem forçar ninguém a ceder a uma ideia. Queremos convencer de que nós podemos fazer mais e melhor. Um grupo é formado por um sistema de relações sociais, interações entre pessoas que compartilham as mesmas ideias. Queremos que vocês interajam não só uns com os outros, mas com nós; queremos suas ideias e suas críticas. Queremos que vocês façam parte disso conosco.

Acadêmicos de Publicidade e Propaganda: Chegamos no momento crucial; chegamos no momento que devemos começar um novo capítulo em nosso curso. Devemos nos unir a favor de nossa educação mas não só isso; a favor do conhecimento. Confiantes de nossa causa e comprometidos com os valores estudantis, nós, Chapa 7, pedimos que nos dias 4, 5 e 6 de dezembro de 2012, o dia das Eleições dos Diretórios Acadêmicos, vocês não votem por amizades ou por “zoação”, pedimos que vocês votem com consciência, pois sozinhos não podemos fazer muito. Precisamos de sua ajuda.

Atenciosamente,

Chapa 7.